No inicio desta semana fui com o pipoca visitar o avô Dálio, o meu pai. O nosso local de trabalho é próximo, o pipoca adora-o e como já fixou o caminho pede muitas vezes para o irmos visitar. Não sei o que me deu mas nesta última visita olhei para o meu pai como se não fosse o meu pai, como se não estivesse habituada a cada ruga ou expressão do seu olhar e achei-o velho. Olhei para ele e o meu coração apertou, de repente lembrei-me que se o tempo está a passar para o meu filhote que cresce vertiginosamente, também está a passar para o meu pai, para os meus pais, ocorreu-me também que levamos uma vida um bocadinho estúpida, vida em que não temos tempo para nada nem ninguém, corremos, vivemos acelerados, queremos atingir algo que não sabemos bem o quê mas que nos retira o tempo para o que é essencial, para alimentar as relações entre as pessoas, para "viver" com as pessoas que amamos, família, colegas e amigos. Não sei onde nos leva esta velocidade, mas desconfio que não nos torna mais felizes.